Notícia: Investigado

''Ser preso por falar a verdade, pra mim é uma honra'', diz alvo da PF em operação contra fake news

''Ser preso por falar a verdade, pra mim é uma honra'', diz alvo da PF em operação contra fake news Foto: Reprodução / Facebook

Alvo da Polícia Federal em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura produção de notícias falsas e ameaças à Corte, o empresário e ativista de direita Marcelo Stachin, morador de Sinop (447 quilômetros de Cuiabá), disse em frente à sede da Delegacia, que seria uma “honra” ser preso por “falar a verdade”. Em live transmitida no Facebook, ele afirma que estava em viagem e, por este motivo, não teria sido localizado em sua residência. Sendo assim, se deslocou de maneira voluntária juntamente com um advogado para prestar esclarecimentos. 

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“Se hoje eu ficar na Polícia Federal preso por falar a verdade enquanto as ações do STF, pra mim é um prazer. Nós estamos em Brasília pela lei e pela ordem, estamos em Brasília porque queremos um país melhor. Eu quero agradecer vocês [imprensa] por estar aqui e dizer que o Brasil precisa dar as mãos neste momento. O parlamento tá usando a Covid-19 pra destruir a economia do País, isso é fato, todo mundo tá vendo o número de pessoas desempregadas, o número de CNPJ’s cancelados é gigantesco. A gente precisa que as pessoas entendam que esses atos são legítimos, legais e constitucionais”, argumenta ele sobre a acusação.

O empresário acredita que o STF está contra a liberdade dos brasileiros e assevera que não vai admitir esse tipo de ação. Apesar disso, nega qualquer tipo de ameaça. “Nunca citei qualquer palavra de ameaça as instituições, nunca houve da minha parte. Essa ação de pessoas que fazem parte do STF é justamente para impedir pessoas de livre direito de manifestar apoio ao presidente Bolsonaro. As ações do STF são inconstitucionais, que me impossibilita, inclusive, de usar as redes sociais”, relata ele sobre restrições que teve no Twitter e Youtube.

Sem máscara de proteção, Marcelo Stachin afirma que o problema atual não é a Covid-19. “O problema hoje é a falta de dinheiro, eu estou sem trabalhar. Covid-19 é um vírus como H1N1, a dengue já matou mais que a Covid-19, assalto mata mais que Covid-19, a violência contra a mulher mata mais que a Covid-19”, acredita o empresário, que defende uma auditoria no número de mortos (24.512) divulgado pelo governo federal. 

Marcelo afirma compactuar com o trabalho da Polícia Federal. “Ela tem feito um trabalho brilhante no brasil, diga-se de passagem, desde que tivemos a feliz prisão daquele desgraçado do Lula. Em respeito à Polícia Federal, aos agentes, que estou aqui. Não é sob hipótese alguma sobre outra ação. Estou aqui em respeito a Polícia Federal, a vocês, meus familiares, aos milhões de todos os brasileiros que acreditam num País melhor”.

“Nós não iremos baixar a guarda, o STF não colocará uma mordaça nas nossas bocas. O STF não impedira as nossas ações, nem tampouco impedir que viemos a falar aquilo que queremos e acreditamos no nosso País. A Polícia Federal pode com toda certeza reter meu aparelho celular, meu Iphone que está gravando, mas o STF nunca colocará uma mordaça na minha boca, sob hipótese alguma”, finaliza.

Quebra de sigilo bancário 

Segundo informações levantadas no inquérito, entres os empresários financiadores de Marcelo Stachin está Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan.  Conforme os autos, o financiamento se daria “de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização”. A associação criminosa caracterizaria o chamado “gabinete do ódio”.

A quebra de sigilo do STF tem como objetivo descobrir se postagens estão sendo financiadas por Hang. A movimentação financeira do investigado Luciano Hang será referente ao período de julho de 2018 a abril de 2020.

A tratativas do financiamento ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens whatsapp, permitido acesso somente a seus integrantes. Um dos grupos foi identificado como Brasil 200 Empresarial.

Justamente pelas tratativas ocorrerem em grupos fechados, houve determinação de busca e apreensão. Objetos alvos foram computadores, tablets, celulares e dispositivos eletrônicos relacionados à disseminação das mensagens ofensivas, mentirosas e ameaçadoras.Todos os envolvidos terão suas contas em redes sociais bloqueadas.

A operação 

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (27) uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura produção de notícias falsas e ameaças à Corte. Entre os alvos estão apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, como o empresário e dono da Havan, Luciano Hang. Pelo menos uma das ordens judiciais é cumprida em Mato Grosso.

Estão sendo cumpridos 29 mandados de busca e apreensão no âmbito do referido procedimento, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. As ordens judiciais são para o Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

O ex-deputado federal Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) e blogueiro Allan dos Santos são alvos.  Todos são aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Também é alvo da operação a blogueira Sara Winter. O inquérito foi aberto em março de 2019 e terminaria em junho deste ano, mas pode ser prorrogado.

As investigação já identificaram ao menos 12 perfis em redes sociais que atuam na disseminação de informações, de forma padronizada, contra ministros do tribunal.

Isso significa, por exemplo, que esses perfis encaminham o mesmo tipo de mensagem, da mesma forma, na mesma periodicidade. Técnicos cruzam informações para tentar localizar financiadores desses perfis.

 

Fonte: Olhar Direto

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