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MT inicia colheita de milho com expectativa de produtividade cada vez menor

Atraso no plantio e problemas com o clima causam preocupação com a entrega de contratos já firmados por produtores do estado.
MT inicia colheita de milho com expectativa de produtividade cada vez menor Foto: Reprodução

Com atraso significativo em relação ao ritmo das últimas safras e oscilação na produtividade das lavouras, a colheita de milho em Mato Grosso segue com expectativas frustradas, o que aumenta a apreensão do setor produtivo no estado.

A movimentação das colheitadeiras é grande na propriedade do Vinícius Sponchiado, produtor em Campo Novo do Parecis. Em sua lavoura, 17% da área dos 5.700 hectares de milho, foram colhidos, um ritmo bem inferior em relação ao ano passado, quando nesta mesma época, mais de 60% da área já estava colhida. A média de produtividade também é outra preocupação do agricultor, principalmente nos milharais semeados fora da janela ideal.

“Em relação ao ano passado, estamos com uma perda de 10% na produção devido à falta de chuvas, sendo que a nossa lavoura foi de alto investimento. Tivemos 60% da nossa área plantada dentro da janela ideal para o milho e 40% fora da janela devido ao plantio de soja que atrasou no ano passado, e, consequentemente, também atrasou o plantio do milho”, relata.

Em Lucas do Rio Verde, o produtor Gilberto Eberhardt também estima baixa na produtividade. Resultado do ataque de pragas e das irregularidades climáticas.

“Nós perdemos algumas plantas por percevejos com quatro aplicação de inseticidas, e não tivemos um controle eficaz. Além disso, tivemos grandes quantidades de chuvas e na hora do enchimento de grãos nós nos deparamos com falta de águas. Deu um veranico muito grande na região aqui e com isso teremos perdas na produção”.

De acordo com Eberhardt, se no ano passado a lavoura rendeu 144 sacas por hectare, para este ano a expectativa é de 15 a 20% a menos na produtividade por causa do veranico. “Nossos vizinhos que estão colhendo aqui na região estão colhendo de 15” a 20% a menos”, complementa.

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Situação do milho preocupa contratos firmados

A colheita de milho se aproxima de 4% da área total cultivada em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Isso representa um atraso de mais de 11 pontos percentuais em relação às últimas safras, decorrente do plantio mais tardio das lavouras nesta temporada. Com quase metade das plantações semeadas fora da janela ideal, é grande o risco de que falte água durante a fase de enchimento de grãos destes milharais.

“É uma pena, porque era um ano em que a gente poderia trabalhar com mais tranquilidade, um manejo melhor. Ter preços melhores para poder melhorar a fertilidade. Infelizmente para muitos não vai ser possível se fazer isso. Não choveu o suficiente e ainda temos o problema de que quem pensou que iria colher tantos sacos por hectare. Gente que vendeu 50/60% e pretendia colher mas não vai chegar nessa quantidade e terá que pagar a multa do que não vai conseguir entregar. Não é só o problema da produtividade, mas temos problemas com os compromissos também”, diz Marcos da Rosa, diretor executivo da Famato.

A previsão do Imea é de que a produtividade média das lavouras de milho em Mato Grosso fique em torno de 93,8 sacas por hectare, 14% a menos que no último ciclo, quando os agricultores colheram 109,02 sacas por hectare. Com isso, a produção total prevista é de 32 milhões de toneladas do cereal, recuo de quase 10% na comparação com a safra 2019/20, o equivalente a 3,4 milhões de toneladas.

“Os relatos de todas as nossas regiões é que estes números tendem a ser menores do que os divulgados pelo Imea. Nós estimamos perdas na faixa de 20% e acreditamos que a média do estado não chega a 90 sacas e, se chegar, chega apertado, pois é uma estimativa empírica, baseada nos relatos. Uma vez que temos lavouras que não vão produzir nada, então mesmo que você tenha uma lavoura que você colha 120 sacas, que é uma média considerada razoável, quando você coloca uma de zero, basta você fazer uma conta para baixar consideravelmente a produtividade”, ressalta Fernando Cadore, presidente da Aprosoja-MT.
 

Fonte: Canal Rural

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